Uma tímida caribenha

By dricadrinks

Buenos Aires. Primeira madrugada, depois de duas horas de atraso no vôo, cinco horas de rinite e ninguém na porta do prédio pra me esperar, dou de cara com um apartamento com uma cara pior do que a minha pós-rinite. Com cara de encardido. Muito encardido.

Primeiro dia, a coisa só piora no reino de Palermo. Tampão de ouvido a mão. Com uma construção barulhenta do lado, nem dá vontade de abrir a janela. Além de sujo, o apê fica claustrofóbico. Ok, não tenho jeito pra procurar apê pela internet. Então… como se fala macumba em espanhol? Preciso fazer uma urgente pro apê do Rodrigo (eu amanhã) ser melhor que esse. Não vai ser difícil.

            Primeiro dia, primeira perseguição policial. O ladrão trombou no Rodrigo, veio um cara armado correndo atrás. Deslumbrada, eu não vi nada até que vi os dois que estavam comigo do outro lado da rua. Corri. Fazer o quê?

            Primeiro dia, nada de turista. Quero ser local. O nome do meu supermercado é Disco e, se você passa de noite, pelo letreiro, jura que é uma balada. Como entender que entre a seção de doces e a de queijos, tem uma que é de “comida”?? Na dúvida, decidi pular direto pra dos pães e ali não tive dúvida: peguei um Bimbo. Light e com sete grãos. Evitei também o activia de ciruela. Mó cara de que dá piriri…

            Primeira noite, empanadas na esquina. De onde eu sou, pergunta o chico? Deixo ele adivinhar… Colômbia?, ele chuta com certeza. Apavorei. O quê? pela minha cor caribenha? Não, pelo tom de voz baixo. Ahahaha. Isso que dá não se sentir confortável com a língua ainda. Em um dia, virei uma tímida caribenha. Mas, calma, Buenos Aires, tampão de ouvido a mão. Esse é só o primeiro dia.

Uma resposta para “Uma tímida caribenha”

  1. FMANSO Disse:

    activia de ciruela?
    ciruela?

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