Enquanto a imprensa argentina se lamenta de que a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, tenha ignorado a Argentina em sua viagem pela América do Sul, os governantes argentinos se preocupam em dar as boas-vindas a um visitante mais popular.
Nessa semana, Luis Palau foi recebido, em Buenos Aires, pelo vice-presidente argentino, Julio Cobos, pelo prefeito da cidade, Mauricio Macri, por deputados de diferentes partidos e também por empresários. Em outras ocasiões, já esteve com o presidente americano, George W. Bush, e com o ex-mandatário Bill Clinton.
Se fosse Condoleezza, nenhuma surpresa. Tamanha receptividade impressiona porque Luis Palau, 73, é um pastor evangélico.
Nascido na Argentina, Palau se mudou nos anos 60 para os EUA onde ganhou fama. Considerado o líder evangélico mais importante da América Latina, viaja promovendo seus “festivais”, espécie de show religioso que reúne multidões misturando a pregação a apresentações de artistas locais.
Na capital argentina, o festival de ontem, fechou a avenida Nove de Julho, a principal do país, das 18h à 0h30, previa reunir entre 500 mil e um milhão de pessoas e atrapalhou o trânsito nas ruas da cidade, mais acostumadas a protestos. O fenômeno deve se repetir hoje na segunda edição do evento.
Segundo a Associação Luis Palau, o pastor já apresentou seus festivais a 22 milhões de pessoas em 80 países do mundo. Em Buenos Aires, foi declarado pela prefeitura como ato “de interesse nacional”.
Como parte de sua estratégia de marketing religioso, em cada país onde chega, tem encontros marcados com governantes locais. Por aqui, dizem as más línguas que teria sido ignorado pela presidente Cristina Kirchner. Nos EUA, no entanto, merece tratamento especial. Esteve ao menos seis vezes na Casa Branca. Foi convidado por Bush para visitarem juntos uma igreja em Pequim em 2005 e dizem que os dois fariam parte do mesmo grupo de oração apesar de seu assessor, Alberto Avila, afirmar que “é mais amigo de Clinton que de Bush”.
Avila disse, pouco antes do início do festival, que o pastor sempre se reúne com políticos nas cidades que visita “para conversar com eles e orar por eles”. Mas com a reportagem Palau não pôde orar nem conversar. Tinha que se preparar para o show.